v. 18 n. 4 (2025): Dossiê Escrevivências sobre bem viveres e resistências contracoloniais

Os artigos da coletânea Escrevivências sobre bem viveres e resistências contracoloniais falam de realidades pessoais em contextos diversos, por isso as palavras do título estão no plural. Em perspectivas subjetivas, as autoras e autores tocam em situações e experiências vividas que na maioria dos casos refletem buscas, desafios e dores. Coisas distantes da ideia individualista e burguesa de qualidade de vida que a expressão bem viver poderia dar a entender. De fato, não há uma definição única de bem viver, porque suas diferentes possibilidades reportam-se a contextos sociais, culturais e políticos particulares. Sempre, no entanto, referindo-se a vivências plenas, incluindo conteúdos materiais e afetivos, em coletividade. Diante de tantos desafios, buscamos refletir: O bem viver faz sentido na pós-graduação universitária?
A noção do bem viver viajou no espaço e no tempo, desde as tradições andinas Quechua (Sumak Kawsay) e Aymara (Suma Qamaña), para ganhar terreno aqui, nos contextos e territórios da Amazônia. Ao invés de significar um idílico e idealizado cenário de paz e acomodação, a expressão ‘bem viver’ traz com ela construção e luta por um presente e um futuro melhores do que, por exemplo, as circunstâncias vividas e descritas nas escrevivências desta coletânea. Mais do que um contraponto teórico ao individualismo neoliberal, as potencialidades do bem viver precisam ser postas em movimento, em sentido prático.

Publicado: 2026-02-02

Dossiê Escrevivência