ESCREVIVÊNCIAS DO BEM VIVER QUILOMBOLA COMO FORMAS DE RESISTÊNCIA POLÍTICA AO EPISTEMICÍDIO OCIDENTAL
AS NARRATIVAS ORAIS COMO INSTRUMENTOS DE RESISTÊNCIA CULTURAL
Resumo
Este artigo aborda as experiências coletivas do “bem-viver” nos territórios quilombolas do Pará, buscando na oralidade as narrativas que compõem o repertório identitário de seus sujeitos. Trata-se de um estudo das narrativas como processos de elaboração, construção identitária e resistência étnica a partir das realidades locais, enfocando: (1) as resistências políticas e culturais das mulheres quilombolas e negras frente aos desafios raciais e de gênero na produção do saber; (2) as formas diversas de manifestação da religiosidade e dos saberes ancestrais como estratégias de coesão e bem-viver; e (3) a luta pela legalização e proteção do território diante das ameaças do agronegócio e do extrativismo. O objetivo é compreender como as narrativas quilombolas contribuem para a autoafirmação e o reconhecimento de suas identidades, relacionando-se com as práticas socioculturais e políticas locais. A metodologia baseia-se nas “escrevivências” (Evaristo, 2020) e nas perspectivas do pensamento social negro (Gonzalez, 1988; Davis, 2016), agregando as experiências dos autores enquanto pesquisadores e ativistas que sofrem as marcas históricas do colonialismo e seus reflexos na produção acadêmica.
Palavras-chave: Escrevivências, bem viver, formação, comunidades quilombolas.