TRAÇOS DA ESCREVIVÊNCIA
O DESENHO COMO OLHAR SENSÍVEL SOBRE O CAMPO
Palavras-chave:
desenho etnográfico, etnografia, memória social, escrevivência;, PandemiaResumo
Este artigo analisa como o desenho pode se tornar prática etnográfica e recurso metodológico em contextos atravessados pela pandemia de Covid 19 e por processos de adoecimento. A partir das experiências de duas pesquisadoras, discutimos o desenho como forma de escrevivência visual (Evaristo, 2007, 2020), capaz de reinscrever memórias, atmosferas e subjetividades interditadas pela ausência de encontros presenciais. As narrativas apresentadas evidenciam que, diante das interrupções impostas pelo isolamento, o desenho operou como possibilidade de retorno ao campo, permitindo reconstruir ambiências, reelaborar lembranças e sustentar vínculos etnográficos em meio à incerteza. Assim, argumentamos que o traço, longe de ser mero recurso ilustrativo, constitui gesto insurgente e analítico: cada linha produz memória, denúncia e elaboração sensível da experiência, convertendo o desenho em conhecimento situado e em forma de resistência frente às instabilidades da pandemia que atravessaram o fazer antropológico.