ESCREVIVÊNCIAS DO BEM VIVER
perspectivas de saúde, educação e religião como ferramentas de denúncia, memória e cura
Palavras-chave:
Bem viver, Saúde, Educação, Religião, Narrativas vividasResumo
Este artigo propõe uma reflexão entrelaçada entre a escrevivência e o bem viver, articulando relatos de vida de quatro mulheres negras que envolvem questões sobre saúde pública, educação e religião. Objetiva analisar, a partir das escrevivências do grupo, como diferentes experiências cotidianas revelam dimensões do bem viver e evidenciam os impactos do racismo, da intolerância religiosa, das violências simbólicas e institucionais da precariedade em áreas como saúde e educação, e apontar possíveis caminhos para a reconstrução do bem viver. Trata-se de uma escrita de denúncia que evidencia as violências enfrentadas por comunidades marginalizadas com o foco nas implicações de políticas práticas nas dimensões da experiência social, que surgiu a partir de uma proposta no âmbito de determinada disciplina de Mestrado/Doutorado em Sociologia e Antropologia. Neste artigo, aplica-se a Escrevivência de Conceição Evaristo como método para registrar e narrar vivências que problematizam experiências individuais e coletivas, possibilitando a reflexão crítica sobre questões sociais, culturais e comunitárias, nas quais são analisadas criticamente questões estruturais como racismo, invisibilidade social, intolerância religiosa e outras formas de opressão. Ao final, conclui-se trazendo uma argumentação sobre bem viver a partir das experiências corporificadas, que vão além de simples relatos, configurando-se como formas de denúncia, de ativação da memória e processos de cura.