ESCREVIVÊNCIAS LIVRES DE MULHERES AMAZÔNIDAS GERADORAS
Palavras-chave:
questões de gênero, maternidade na pós-graduação, enfrentamento, saúde mentalResumo
O objetivo do artigo é compartilhar escrevivências sobre os nossos desafios para conciliar maternidade e pós-graduação, em contextos marcados por vulnerabilidades sociais e redes de apoio limitadas. Apresentamos relatos de cinco mulheres da Amazônia Legal, nascidas entre as décadas de 1980 e 1990 nas regiões norte e nordeste do Brasil. Nossas vivências estão contextualizadas em uma sociedade capitalista e produtivista, onde o corpo feminino é objetificado e a maternidade é idealizada e/ou reduzida a uma função reprodutiva, desconsiderando dores e angústias reais. Sendo mães na pós-graduação, enfrentamos julgamentos constantes e desafios atravessados por interseccionalidades de gênero, classe e raça. A metodologia incluiu revisão bibliográfica, encontros e diálogos entre as autoras e outras três mães na pós-graduação, e a narrativa de suas histórias seguindo a metodologia da escrevivência. A escrita, aqui, representa um ato político, um modo de resistir, de “sangrar” e gerar ideias e vida, apesar dos obstáculos acadêmicos. As narrativas revelam temas como privações, discriminação, violência doméstica, resistência e luta por educação. Os resultados deste artigo reforçam dados de pesquisas anteriores que apontam a hostilidade do ambiente acadêmico às alunas que são mães, causando solidão, incompreensão e danos à saúde mental. Concluímos defendendo a urgência de políticas públicas e mudanças institucionais, como a instalação de creches e brinquedotecas nas universidades, e auxílios financeiros, para permitir que mães estudem sem comprometer sua saúde ou os cuidados com seus filhos. Ao compartilharmos nossas experiências, buscamos inspirar outras mulheres e fortalecer a luta por uma universidade mais inclusiva e acolhedora às mães.