A PRÁTICA DE ANÁLISE LINGUÍSTICA NA PERSPECTIVA ENUNCIATIVO-DISCURSIVA

Reflexões acerca da Base Nacional Comum Curricular e do Referencial Curricular Amapaense

Autores

  • Ana Patrícia Silva da Costa Universidade do Estado do Amapá
  • Andrey da Silva e Souza Universidade do Estado do Amapá
  • Gerson Teixeira Universidade do Estado do Amapá

Palavras-chave:

Ensino de língua portuguesa; Base Nacional Comum Curricular; Referencial Curricular Amapaense; ensino fundamental; análise linguística.

Resumo

O ensino de Língua Portuguesa na Educação Básica passou por significativas transformações, especialmente após a publicação da Base Nacional Comum Curricular (doravante, BNCC), em 2018. No intuito de complementar a matriz nacional com uma proposta curricular mais alinhada às especificidades do estado do Amapá, foi elaborado e publicado, em 2019, o Referencial Curricular Amapaense (de agora em diante, RCA). Ambos os documentos estão fundamentados em uma concepção “enunciativo-discursiva” (Bakhtin, 1997) de língua/linguagem e devem apresentar, de forma articulada e complementar, competências e habilidades a serem desenvolvidas pelos estudantes da Educação Básica. Diante desse contexto, a presente pesquisa se construiu a partir da seguinte questão norteadora: de que forma os conteúdos presentes no eixo análise linguística do RCA, especificamente do ensino fundamental - anos finais, apresentam as especificidades linguísticas amapaenses e se articulam com as habilidades previstas na BNCC? A fim de responder a essa indagação, o presente trabalho teve como objetivo analisar como os conteúdos presentes no eixo análise linguística do RCA no ensino fundamental relacionam as especificidades linguísticas amapaenses articulando-se com as habilidades estabelecidas pela BNCC. Para fundamentar a discussão, o referencial teórico baseou-se em: Antunes (2009), Bakhtin (1995), Geraldi (1997; 2011), Reinaldo e Bezerra (2020), Travaglia (1997), entre outros. Metodologicamente, esta pesquisa caracteriza-se como uma análise documental de abordagem qualitativa, conforme Gil (2008). Os resultados evidenciam que, no eixo análise linguística, o RCA apresenta um quantitativo de habilidades quase que completamente semelhantes às da BNCC, tendo sido encontrada uma única habilidade com foco nas peculiaridades linguísticas do estado. Desse modo, o documento estadual cumpre superficialmente o objetivo de complementar a base nacional, cujas peculiaridades regionais do estado deveriam ser incorporadas como instrumentos de reflexão em atividades escolares de análise linguística, envolvendo práticas de natureza linguística, epilinguística e metalinguística.

Biografia do Autor

  • Ana Patrícia Silva da Costa, Universidade do Estado do Amapá

    Graduanda em Licenciatura Plena em Letras - Português - Língua Portuguesa e suas respectivas literaturas, pela universidade do Estado do Amapá (UEAP).

  • Andrey da Silva e Souza, Universidade do Estado do Amapá

    Graduando do curso de Letras- Português pela Universidade do Estado do Amapá. Atualmente é bolsista do Programa de Iniciação à docência (Pibid). Foi bolsista do programa de iniciação científica (Probict). 

  • Gerson Teixeira, Universidade do Estado do Amapá

    Professor Assistente II do curso de Letras-Português na Universidade do Estado do Amapá (UEAP). Doutorando em Linguística pela Universidade Federal da Paraíba (PROLING / UFPB / Conceito CAPES 6). Mestre em Letras pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI). Especialista em Gestão Educacional pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), Linguística Aplicada pela Faculdade Entre Rios do Piauí (FAERPI) e Literatura e Outras Linguagens pela Faculdade de Ciência e Tecnologia de Teresina (FACET). Possui graduação em Pedagogia e em Letras - Português pela UESPI. Também é formado em Letras - Libras pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (UNIASSELVI). Idealizador e coordenador do I Workshop de Escrita Acadêmica da Universidade do Estado do Amapá. Entre 2023 e 2024, exerceu a função de coordenador de Pesquisa e Extensão do curso de Pedagogia na Faculdade de Ensino Superior de Parnaíba (FAESPA), sendo responsável pela organização da III e da IV edição da Jornada Acadêmica da instituição. No mesmo período, foi Diretor do Departamento Pedagógico do Ensino Fundamental e EJA em Luis Correia (PI), município em que desenvolveu atividades docentes como professor efetivo por 6 anos. Atua como pesquisador nos seguintes grupos de pesquisa: Linguagem, Língua e Sociedade (LINLIS / UEAP / CNPQ), Sistêmica, Ambientes e Linguagens (SAL / UFSM / CNPQ) e Contextos Profissionais Investigativos da Linguística Sistêmico-Funcional (CPI/UFPB). No Grupo de Pesquisas em Práticas e Vivências de Ensino (GPPVE/UEAP/CNPQ), lidera a linha de pesquisa em Multiletramentos e Ensino. Seus interesses de pesquisa abrangem temas como Educação, (Multi) Letramentos e Ensino, Alfabetização/Letramento na EJA, Linguística Sistêmico-Funcional, Linguística Aplicada, Estratégias de Leitura e Metacognição, Aquisição da língua materna, Análise do Discurso, Escrita Acadêmica e Inteligência Artificial, Ensino de Gramática, Historiografia da Linguística, Gestão Educacional e Formação Docente.

Referências

ANTUNES, Irandé. Aula de português: encontro & interação. 6. ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2003.

ANTUNES, Irandé. Língua, texto e ensino: outra escola possível. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. (Estratégias de ensino, v. 10).

AMAPÁ. Referencial Curricular Amapaense: Educação Infantil e Ensino Fundamental. Aprovado pela Resolução nº 15/2019 do Conselho Estadual de Educação do Amapá. 2019. Disponível em: https://www.see.ap.gov.br/ Acesso em: 15 jun. 2025.

BAKHTIN, Mikhail; VOLOCHINOV, Valentin Nikolaevich. Marxismo e Filosofia da Linguagem. São Paulo: Hucitec, 1995.

BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/ . Acesso em: 15 jun. 2025.

BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: Língua Portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1998.

BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 27 de jul de 2025.

BEZERRA, Maria Auxiliadora; REINALDO, Maria Augusta. Análise linguística: afinal, a que se refere? 2. ed. Recife: Pipa Comunicação; Campina Grande: EDUFCG, 2020.

GERALDI, João Wanderley. Portos de passagem. São Paulo: Martins Fontes, 1997.

GERALDI, João Wanderley (Org.). O texto na sala de aula. 5. ed. São Paulo: Ática, 2011.

GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 2008.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.

SANTOS, Clóvis Roberto dos. Educação escolar brasileira: estrutura, administração, legislação. 2. ed. atual. e ampl. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2003.

TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática e interação: uma proposta para o ensino de gramática nos 1º e 2º graus. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1997.

Downloads

Publicado

14-08-2026

Como Citar

SILVA DA COSTA, Ana Patrícia; SOUZA, Andrey; TEIXEIRA, Gerson. A PRÁTICA DE ANÁLISE LINGUÍSTICA NA PERSPECTIVA ENUNCIATIVO-DISCURSIVA: Reflexões acerca da Base Nacional Comum Curricular e do Referencial Curricular Amapaense. Revista Letras Escreve, [S. l.], v. 15, n. 2, p. 236–252, 2026. Disponível em: https://periodicos.unifap.br/letrasescreve/article/view/1776. Acesso em: 14 ago. 2026.

Artigos Semelhantes

1-10 de 66

Você também pode iniciar uma pesquisa avançada por similaridade para este artigo.