“OS PRETO É CHAVE, ABRAM OS PORTÕES!”

O rap nas aulas de língua portuguesa como uma proposta de reflexão sobre letramentos de reexistência e estruturas coloniais

Autores/as

  • Karina Pacheco dos Santos Vander Broock Universidade Federal do Paraná/Pontifícia Universidade Católica do Paraná
  • Leonardo Kominek Barrentin Secretaria Estadual de Educação do Estado do Paraná

Palabras clave:

Linguística aplicada indisciplinar; proposta pedagógica; gênero rap.

Resumen

Com as diferenças culturais, sociais e linguísticas cada vez mais presentes na sociedade contemporânea, o ensino de línguas não pode estar desvinculado dessas questões que afetam e entrecruzam as vidas dos sujeitos em formação escolar. Para isso, as práticas pedagógicas precisam considerar a produção autoral de materiais didáticos que abordem, entre as tantas culturas, aquelas silenciadas e marginalizadas. Dessa forma, este artigo apresenta uma proposta pedagógica para as aulas de língua portuguesa sobre as estruturas coloniais e os letramentos de reexistência a partir da letra de canção Ponta de Lança, do MC Rincon Sapiência. Para tanto, mobilizamos os pressupostos da Linguística Aplicada INdisciplinar (Moita Lopes, 2006, 2009), as discussões sobre colonialidade e decolonialidade (Quijano, 2005; Oliveira, 2023), as noções acerca dos letramentos de reexistência (Souza, 2011, 2020) e o conceito de autorrecuperação (bell hooks, 2017, 2019). Primeiro, selecionamos os versos do rap que fossem mais significativos ao evidenciar as estruturas coloniais e as ações de reexistência. Em seguida, realizamos a interpretação desses versos, ao mesmo tempo em que apresentamos possibilidades de reflexão à/ao docente de língua portuguesa no trabalho com a letra de canção. No processo de interpretação, verificamos possibilidades de questionar as estruturas coloniais e trazer para sala de aula saberes ancestrais por tanto tempo negligenciados pelas instituições, entre elas, a escolar. Assim, a proposta apresentada é uma tentativa de, em um primeiro momento, desencadear uma autorreflexão sobre o nosso papel em relação às estruturas/violências denunciadas na letra de canção; e, a partir disso, apresentar discussões que possam promover uma educação linguística crítica, sem, contudo, indicar respostas prontas para os problemas levantados.

Biografía del autor/a

  • Karina Pacheco dos Santos Vander Broock, Universidade Federal do Paraná/Pontifícia Universidade Católica do Paraná

    Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e professora do Curso de Letras Português-Inglês da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). E-mail: karina.broock@gmail.com. https://orcid.org/0000-0003-3239-3059. http://lattes.cnpq.br/4445812284172031.

  • Leonardo Kominek Barrentin, Secretaria Estadual de Educação do Estado do Paraná

    Professor de língua portuguesa no Estado do Paraná. Licenciado em Letras Português-Inglês pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). E-mail: lkbarrentin@gmail.com. https://orcid.org/0000-0002-9867-6791. http://lattes.cnpq.br/7073428636750543.

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SOUZA, A. L. S. Letramentos de reexistência: poesia, grafite, música, dança: hip-hop. São Paulo: Parábola Editorial, 2011.

Publicado

2026-08-14

Cómo citar

PACHECO DOS SANTOS VANDER BROOCK, Karina; KOMINEK BARRENTIN, Leonardo. “OS PRETO É CHAVE, ABRAM OS PORTÕES!”: O rap nas aulas de língua portuguesa como uma proposta de reflexão sobre letramentos de reexistência e estruturas coloniais. Revista Letras Escreve, [S. l.], v. 15, n. 2, p. 190–206, 2026. Disponível em: https://periodicos.unifap.br/letrasescreve/article/view/1081. Acesso em: 14 aug. 2026.

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