COMO SE CONSTRÓI UM MITO?
Uma análise dialógica da propaganda “Fale inglês com a Cambly”
Palabras clave:
Discurso; falante nativo; dialogismo.Resumen
Este artigo tem por objetivo analisar, sob a perspectiva da Análise Dialógica do Discurso (ADD), como a plataforma digital de ensino de inglês Cambly constrói discursivamente o mito do falante nativo em uma peça publicitária veiculada no Instagram. Para isso, apresenta-se um breve panorama histórico sobre as tensões e os desafios de aprender e ensinar inglês no Brasil, além de relacioná-lo com a crescente demanda de cursos de inglês pela população brasileira. Tendo como plano de fundo a ideia naturalizada de que o ensino de inglês das escolas regulares brasileiras não é suficiente para aprender a falar o idioma, a oferta e procura por cursos de idiomas no país têm crescido cada vez mais, até mesmo para crianças ainda na primeira infância, contribuindo para um cenário neoliberal que enfatiza a privatização do ensino e favorece classes mais abastadas. A metodologia de análise ancora-se no arcabouço teórico-metodológico da filosofia da linguagem do Círculo de Bakhtin (2018) ao compreender a linguagem como prática social constituída por valores ideológicos, históricos e sociais. Ademais, são discutidos os conceitos de signo ideológico, enunciado e palavra. O corpus foi escolhido a partir de um anúncio patrocinado no Instagram, pois a propagação do disucuso-mito do falante nativo em seu enunciado chamou a atenção. As análises dos enunciados verbos-visuais da propaganda apontam que os signos ideológicos são mobilizados a partir da relação destes com discursos neoliberais, utilitaristas e neocoloniais, o que reforça a idealização do nativo como modelo legítimo de falante de inglês. Ao discutir as implicações pedagógicas e ideológicas desses discursos, reafirma-se a importância de uma formação crítica de professores de inglês para a desconstrução de mitos associados à língua e para a promoção de práticas mais éticas e responsáveis.
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