ENTRE O DITO E O SUGERIDO
Uma análise comparativa das implicaturas humorísticas em traduções brasileiras de Romeu e Julieta
Palavras-chave:
implicaturas; tradução de humor; análise textual comparativa.Resumo
A tradução do humor verbal em textos dramáticos envolve escolhas que ultrapassam a correspondência lexical entre línguas, sobretudo quando a comicidade depende de ambiguidades, insinuações e sentidos implícitos. A partir desse problema, o artigo apresenta uma análise textual comparativa de traduções brasileiras de um fragmento cômico do Ato II, Cena IV, de Romeu e Julieta, de William Shakespeare. A investigação articula a teoria das implicaturas conversacionais de Grice (1975) aos estudos da tradução literária e do humor verbal, com apoio em Bassnett (2014a, 2014b) e Chiaro (2008), para examinar como sentidos sugeridos e inferidos participam da construção da comicidade. O corpus é composto pelas traduções de F. Carlos da Cunha Medeiros e Oscar Mendes (1978), Barbara Heliodora (2016a), Beatriz Viégas-Faria (2016b) e José Francisco Botelho (2016c). A análise observa como cada versão reconstrói, atenua ou desloca os jogos verbais, os duplos sentidos, as alusões sexuais e os contrastes de registro presentes no diálogo entre Mercúcio, Benvólio, Romeu, a Ama e Pedro. Parte-se da hipótese de que a tradução do humor não deve ser avaliada apenas pela proximidade lexical em relação ao texto de partida, mas também pela capacidade de preservar ou recriar os efeitos inferenciais que sustentam a comicidade. Com isso, busca-se demonstrar que a noção de implicatura oferece um instrumento analítico pertinente para examinar o não dito na tradução literária e compreender como escolhas tradutórias distintas interferem na produção do humor em português brasileiro.
Referências
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