POLÍTICAS DO FEITIÇO

APARIÇÃO COMO ARQUIVO DO SENSÍVEL

Autores

  • Liege Pereira dos Santos UFF

Palavras-chave:

Artes Visuais, Memória Cultural, Teoria crítica da arte, Decolonialidade, Aparição

Resumo

Este artigo tem como objetivo propor o conceito de aparição como uma tecnologia simbólica e sensível que atua como contrafeitiço aos regimes coloniais de visibilidade. Entendida não como representação, mas como presença insurgente, a aparição se manifesta como gesto de interrupção, como fabulação do sensível que escapa à gramática da norma. O trabalho parte de um referencial teórico que articula a colonialidade do ver (Mignolo), a memória subterrânea (Pollak) e a opacidade como ética (Glissant), integrando também reflexões de bell hooks sobre alteridade e desejo. O método consiste em uma abordagem crítica e ensaística, que entrelaça análise de práticas artísticas contemporâneas — como as de Rona Neves, Pitô, Mariana Maia, Castiel Vitorino e Aïda Muluneh — a uma escritura performativa de natureza poético-política. A pesquisa se ancora em práticas corporais, visualidades ritualísticas e modos de saber não hegemônicos, entendendo o corpo como arquivo e linguagem. Como conclusão, a aparição é apresentada como um gesto que rasura a lógica classificatória colonial, acionando memórias interditadas e saberes subterrâneos. Ela atua como força contra-hegemônica que convoca outras temporalidades, afetos e formas de existir. O artigo afirma o corpo como lugar de enunciação e reinvenção do mundo, onde o invisível atua e reencanta a cena sensível.

 

Referências

VITORINO, Castiel. Corpoflor. Fotografia digital. Arquivo de Intervet. Disponível em: https://castielvitorinobrasileiro.com/foto_corpoflor. Acesso em: 1 ago. 2025.

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Publicado

10-01-2026

Como Citar

Pereira dos Santos, L. (2026). POLÍTICAS DO FEITIÇO: APARIÇÃO COMO ARQUIVO DO SENSÍVEL. Revista Encanterias , 1(2). Recuperado de https://periodicos.unifap.br/revistaencanterias/article/view/1111