VOZES DE MULHERES INDÍGENAS NA LITERATURA
Resistência, sol e retomada - Relato de prática docente
Palavras-chave:
Literatura indígena; ensino de literatura; decolonialidade; educação básica.Resumo
O presente artigo situa-se no campo dos estudos literários e das práticas pedagógicas decoloniais, com foco na inserção da literatura indígena no currículo da educação básica. A partir de uma experiência docente realizada em uma escola pública da cidade de Boa Vista (RR), discute-se a eletiva Vozes de mulheres indígenas na literatura: resistência, sol e retomada, desenvolvida com turmas do Ensino Médio ao longo de um semestre letivo. A proposta da eletiva teve como objetivo central criar um espaço de escuta e valorização das vozes de mulheres indígenas da Amazônia, tensionando o olhar hegemônico sobre o cânone e promovendo o reconhecimento de saberes tradicionalmente excluídos dos processos de ensino-aprendizagem. O percurso metodológico incluiu rodas de leitura, análise crítica de textos literários, oficinas de reescrita criativa e culminância em uma exposição poética coletiva. Foram selecionadas as obras das autoras indígenas Sony Ferseck e Trudruá Dorrico, cujas produções literárias abordam questões de identidade, território, ancestralidade e resistência. Os resultados da experiência revelaram maior engajamento dos estudantes com a leitura, ampliação do repertório cultural e fortalecimento de vínculos com suas próprias trajetórias e pertencimentos. Além disso, o projeto demonstrou o potencial da literatura como ferramenta de emancipação simbólica, permitindo que os alunos se reconhecessem como sujeitos históricos e produtores de sentidos. Conclui-se que a inserção da literatura indígena no contexto escolar, sobretudo em regiões amazônicas, contribui de modo significativo para a formação de uma educação crítica, intercultural e anticolonial, promovendo justiça cognitiva e equidade curricular. A escuta dessas vozes, mais do que um gesto pedagógico, configura-se como um ato político de retomada, que resiste aos apagamentos históricos e celebra a pluralidade de mundos.
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