Práticas laborais de indígenas Galibi-Marworno e modos de medir

pesquisa em etnomatemática

Autores

  • Alarcidio Figueiredo Narciso
  • Eliane Leal Vasquez

Palavras-chave:

Ensino de Ciências, Etnomatemática, Cultura Galibi-Marworno, Práticas laborais, Sistema de Medida Diferenciado

Resumo

Este artigo registra os modos de medir que identificamos em algumas práticas laborais de indígenas Galibi-Marworno. Inicialmente, realizamos um levantamento de pesquisa em etnomatemáti-ca. Outros dados foram coletados como parte da pesquisa qualitativa, com aplicação de roteiro de en-trevista temática a seis Galibi-Marworno. As entrevistas ocorreram na aldeia Kumarumã, no sítio cha-mado de Casa Velha e às margens do Igarapé Paramuaká, na Terra Indígena Uaça, localizada ao norte do Brasil. Os indígenas Galibi-Marworno usam um sistema de medida diferenciado que envolve medidas de comprimento, de largura, de espessura e de áreas de terrenos. As unidades de medidas documentadas neste estudo foram (braça normal de um homem, metro antigo, dedo, chave, palmo, polegada e braça marítima). Com base na análise das entrevistas, constatou-se que não existe convenção matemática entre essas unidades de medidas para o grupo pesquisado, o que se justifica porque cada coisa ou obje-to pode assumir tamanhos diversos no processo de medição. As medições dependem do tipo de recurso natural e da parte do corpo humano que é usado no ato de medir. No Brasil, o Sistema Internacional de Unidades (SI) faz parte do currículo escolar e ele é ensinado à população urbana e rural nas escolas pú-blicas, bem como aos povos indígenas. Mesmo assim, os indígenas Galibi-Marworno não usam as unida-des de medidas do SI, em atividades da agricultura ou construções de canoas, casas, peças de madeiras e jamaxis.

Biografia do Autor

Alarcidio Figueiredo Narciso

Graduado em Licenciatura Intercultural Indígena pela Universidade Federal do Amapá, com habilitação em Ciências Exatas e da Natureza, professor efetivo do Governo do Estado do Amapá, Escola Indígena Estadual Camilo Narciso e pesquisador do Grupo de Pesquisa História da Ciência e Ensino

Eliane Leal Vasquez

Doutora em História da Ciência pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Professora Adjunta da Universidade Federal do Amapá, Departamento de Ciências Exatas e Tecnológicas, lotada no Curso de Licenciatura em Matemática e líder do Nú-cleo de Pesquisa História de Ciência e Ensino

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Publicado

2025-02-07

Como Citar

Narciso, A. F., & Vasquez, E. L. (2025). Práticas laborais de indígenas Galibi-Marworno e modos de medir: pesquisa em etnomatemática. Science and Knowledge in Focus , 1(1), 39–56. Recuperado de https://periodicos.unifap.br/scienceinfocus/article/view/599

Edição

Seção

Seções: Matemática, Contexto Escolar e Ensino; Povos Indígenas, Ciências e Saberes; Temática em Foco