Práticas laborais de indígenas Galibi-Marworno e modos de medir
pesquisa em etnomatemática
Palavras-chave:
Ensino de Ciências, Etnomatemática, Cultura Galibi-Marworno, Práticas laborais, Sistema de Medida DiferenciadoResumo
Este artigo registra os modos de medir que identificamos em algumas práticas laborais de indígenas Galibi-Marworno. Inicialmente, realizamos um levantamento de pesquisa em etnomatemáti-ca. Outros dados foram coletados como parte da pesquisa qualitativa, com aplicação de roteiro de en-trevista temática a seis Galibi-Marworno. As entrevistas ocorreram na aldeia Kumarumã, no sítio cha-mado de Casa Velha e às margens do Igarapé Paramuaká, na Terra Indígena Uaça, localizada ao norte do Brasil. Os indígenas Galibi-Marworno usam um sistema de medida diferenciado que envolve medidas de comprimento, de largura, de espessura e de áreas de terrenos. As unidades de medidas documentadas neste estudo foram (braça normal de um homem, metro antigo, dedo, chave, palmo, polegada e braça marítima). Com base na análise das entrevistas, constatou-se que não existe convenção matemática entre essas unidades de medidas para o grupo pesquisado, o que se justifica porque cada coisa ou obje-to pode assumir tamanhos diversos no processo de medição. As medições dependem do tipo de recurso natural e da parte do corpo humano que é usado no ato de medir. No Brasil, o Sistema Internacional de Unidades (SI) faz parte do currículo escolar e ele é ensinado à população urbana e rural nas escolas pú-blicas, bem como aos povos indígenas. Mesmo assim, os indígenas Galibi-Marworno não usam as unida-des de medidas do SI, em atividades da agricultura ou construções de canoas, casas, peças de madeiras e jamaxis.