IMPACTOS DA DOENÇA VASSOURA DE BRUXA DA MANDIOCA:
CONTRIBUIÇÕES DA ANCESTRALIDADE INDÍGENA ÀS PEDAGOGIAS DECOLONIAIS
Palavras-chave:
Decolonialidade, sociobiodiversidade, soberania alimentar, mudanças climáticas, Amazônia LegalResumo
Este artigo analisa os impactos ambientais, socioculturais e econômicos decorrentes da incidência da doença vassoura de bruxa da mandioca nas roças localizadas nos territórios indígenas da região do Baixo Oiapoque, estado do Amapá, na zona fronteiriça entre Brasil e a Guiana Francesa. O estudo discute como essa fitopatia afeta diretamente a agricultura familiar e compromete a soberania alimentar das comunidades indígenas Galibi Marworno. Com base na pesquisa documental e na etnografia como abordagens metodológicas, e orientado por uma perspectiva transdisciplinar e transcultural, o presente estudo identificou estratégias sustentáveis e cosmológicas desenvolvidas por comunidades tradicionais e agentes externos em resposta aos impactos da degradação agrícola. As práticas observadas revelam uma articulação complexa entre saberes tradicionais, conhecimentos científicos e tecnológicos, evidenciando processos de resistência cultural, mecanismos de preservação dos modos de vida e constribuições dos saberes ancestrais indígenas às Pedagogias Decoloniais. Conclui-se que a praga causou uma perda expressiva das variedades de mandioca na região, caracterizando-se como um desastre agrícola que afetou profundamente a produção local e a vida das populações tradicionais. Ademais, evidencia-se que as epistemologias plurais, a resistência e a afirmação identitária, a autonomia e a territorialidade, a interculturalidade e a integração de saberes, bem como a formação docente diferenciada, constituem contribuições fundamentais para a promoção de Pedagogias Decoloniais.