A PEDAGOGIA ANCESTRAL DE UMA ASSOCIAÇÃO DE INDÍGENAS EM CONTEXTO URBANO
Resumo
Este estudo é um recorte de uma pesquisa de doutorado da Universidade do Estado do Pará, alinhada com o projeto “Bem viver: diversidade sociocultural, saúde e práticas educativas na Amazônia”, do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED-UEPA) em parceria com o Programa de Desenvolvimento da Pós-Graduação (PDPG- Amazônia Legal/CAPES). A tese traz provocações acerca da educação produzida pela Associação Multiétnica Wyka Kwara, uma associação/movimento de indígenas em contexto urbano que lutam pelo direito à autoafirmação e buscam o processo de retomada como caminho. Este artigo apresenta como objetivo nuclear enunciar o trabalho pedagógico da Associação Multiétnica Wyka Kwara. O texto tem inspirações a partir dos fundamentos da pesquisa participante ao problematizar que para além da importância da imersão na comunidade, assume o compromisso ético ao dispor o estudo a favor do projeto político deste grupo. Os diálogos teórico-metodológicos são representados por: Casé Angatu (2016, 2021); Sônia Guajajara (2017); Ailton Krenak (2022); Daniel Munduruku (2009, 2022); Gesen Baniwa (2023); Nego Bispo (2023) e Tatiane Costa (2018). A pesquisa revela o reconhecimento da ancestralidade como potencialidade formativa/pedagógica a partir das práticas desenvolvidas pelo coletivo Wyka Kwara, as quais colaboram para o exercício de uma educação outra a partir da Amazônia. A pedagogia ancestral da associação vem construindo um legado de orientação acerca do entendimento dos processos de invisibilização dos povos originários e investe na aprendizagem sobre a importância de corporificar a luta, unindo forças para avivar as memórias ancestrais.