SANTUÁRIO DAS ÁGUAS:
VOVÓ E A PEDAGOGIA DA ORALIDADE
Palavras-chave:
pedagogia da oralidade, cotidiano, memória, mulheres, ribeirinhoResumo
O trabalho buscou investigar a forma como as mulheres ribeirinhas da Amazônia tocantina cametaense tem resistido e insurgido a colonialidade do ser e do saber para apresentar as estratégias de resistências usadas frente a lógica moderno colonial de subalternização de seres e saberes. Como resultado, concluiu-se que a pedagogia da oralidade é o principal mecanismo de transmissão de saberes e práticas de mulheres ribeirinhas da Amazônia tocantina cametaense. A partir da memória da autora, que tem na História Oral a metodologia para a elaboração deste trabalho, aponta a oralidade como um elemento importante utilizado cotidianamente por sua avó, Anita, que se transformou em aprendizagens que se conectam à ancestralidade amazônica ribeirinha, desafiando o modelo cartesiano de produzir ciência quanto à neutralidade e imparcialidade do pesquisador. Denomina pedagogia da oralidade a estratégia usada por sua avó, que, por meio de contação de história e ditados populares, construiu em seus descendentes uma memória coletiva sobre práticas de cura, crenças amazônicas, higienização dos corpos, sustentabilidade, valores e modos de vida que permanecem e resistem ao tempo e à lógica moderno-colonial. Nesta perspectiva, baseado na decolonialidade, tem na enunciação e na decolonialidade do poder, do saber e do ser, a base para o diálogo com Walsh (2013, 2022), Dias (2023), Barros (2021) no sentido de se insurgir frente à epistemologia que hierarquiza e subalterniza saberes e seres.