Jornalismo pelo equívoco e a representatividade dos povos indígenas do Amapá na cobertura midiática da exploração de petróleo e gás na foz do Amazonas
Palavras-chave:
Jornalismo, Amapá, Povos indígenas, PetróleoResumo
Este artigo analisa a cobertura jornalística sobre a exploração de petróleo e gás na bacia da Foz do Amazonas, com foco na representação dos povos indígenas do Amapá. Fundamenta-se nos referenciais do Bem Viver (Acosta, 2016; Krenak, 2019) e do Jornalismo pelo Equívoco (Laia, 2016; 2020), compreendendo o jornalismo como espaço de disputa ontológica e epistemológica. O corpus é composto por quatro reportagens publicadas entre 2023 e 2024, sendo duas da Folha de S.Paulo e duas do portal Sumaúma – Jornalismo do Centro do Mundo. A análise evidencia que o termo “desenvolvimento” opera como eixo central de equivocação, assumindo sentidos inconmensuraveis conforme os enquadramentos editoriais. Enquanto a Folha de S.Paulo mobiliza uma racionalidade desenvolvimentista baseada na segurança energética e no crescimento econômico, silenciando as vozes indígenas, o Sumaúma articula uma perspectiva socioambiental que reconhece os riscos ecológicos e os modos de vida dos povos originários. Conclui-se que tais divergências expressam conflitos estruturais entre racionalidades coloniais e cosmopolíticas indígenas, evidenciando os limites do jornalismo hegemônico na mediação de conflitos socioambientais na Amazônia.