Prazo Prorrogado para o Dossiê "Pan-Amazônia Entre Neodesenvolvimentismos e Neoliberalismos: Ecologia Política como Alternativa"

A PRACS: Revista Eletrônica de Humanidades do Curso de Ciências Sociais da Unifap prorroga o prazo para submissão de artigos para o Dossiê “Pan-Amazônia Entre Neodesenvolvimentismos e Neoliberalismos: Ecologia Política como Alternativa". O novo prazo para envio é até o dia 30 de maio de 2020. O dossiê será publicado no segundo número deste ano, no mês de agosto.

 

Segue abaixo íntegra do texto de Chamada ao Dossiê.

 

Este dossiê receberá artigos originais, ensaios teóricos, artigos de revisão de literatura, entrevistas e resenhas que dialoguem com os temas da Ecologia Política, do Neodesenvolvimentismo e do Neoliberalismo na Pan-Amazônia. Os textos podem ser enviados em português, espanhol e inglês.

A Pan-Amazônia, como região natural criada e cultivada pelos povos indígenas habitantes na região há mais de 10 mil anos, sofre um longo processo de violência e ações de expropriação no Sistema-Mundo Colonial, desde o estabelecimento deste nos séculos XV e XVI, na ocasião das grandes navegações europeias. 

Estas violências e ações de expropriação modificaram-se e assumiram diferentes formas ao longo do tempo, algumas delas identificadas conceitualmente pela ciência social: a primeira, a colonização histórica, regida pelo pacto colonial e estruturada na desumanização e escravização dos povos africanos e indígenas. 

Recentemente, as formas desta dominação se atualizam para conceitos modernos para atender ao espírito do tempo, ou seja, por meio de conceitos que visam ocultar a dominação e a reprodução da matriz colonial de poder. No Brasil, diferentes conceitos foram utilizados, compondo diferentes discursos e reproduzindo a mesma colonialidade. Podem ser identificados o conceito de integração: pelo qual se realizou a construção de rodovias, e hoje de hidrovias e portos, ligando centro-sul a algumas capitais da Amazônia; o conceito de povoamento, pelo qual se induziu a migração, nordestina e sulista, para a região; o binômio conceitual de segurança e defesa, pelo qual se militarizou a região em pontos considerados estratégicos, com o objetivo anunciado de garantir a defesa e o controle sobre as fronteiras da região.

Finalmente, o discurso de desenvolvimento é o que tem sido hegemônico na reprodução da colonialidade da região, abraçado tanto pelos neoliberalismos quanto pelos neodesenvolvimentismos. 

Conforme Mathis et al (2016, p. 241) "foi criada a chamada terceira via de desenvolvimento que se inicia na segunda fase do neoliberalismo (social-liberalismo), caracterizada por um sincretismo entre o mercado e o Estado conduzido por uma ideologia de promoção do bem-estar social. Constata-se, então, que a aliança dos neodesenvolvimentistas com o bloco social-liberal não se dá apenas no aspecto político, pois ambos compartilham da ideologia burguesa que compreende de forma limitada e superficial a dinâmica da acumulação capitalista e seus nexos com o subdesenvolvimento e a dependência do Brasil aos centros capitalistas”. 

Apresentados ideologicamente como opostos um ao outro, em realidade, são dois discursos diferentes para realização do mesmo projeto: a territorialização definitiva da sociedade do capital. "O grande capital, estatal e privado do ramo do ferro, da bauxita, do alumínio, da energia elétrica, tornou-se rei e lei: com toda a sua soberba, remodelou o espaço, abrindo nele, de sul a norte, de oeste a leste, minas, represa de rio e lago artificial, linhas de alta tensão, ferrovia, lagoas de resíduos minerais, sem consideração nem pelas populações locais, tanto tradicionais como os recentemente imigrados. As grandes empresas de pesca e de madeira, modernamente equipadas, ávidas pelo lucro" (HÉBETTE, 2004, 23 apud MATHIS et al, 2016, p. 245).

Face indissociável do mesmo processo, a reprodução da matriz colonial de poder sobre a Amazônia; ou em outros termos, a manutenção de sua posição subordinada na divisão internacional do trabalho. "O ideário neodesenvolvimentista difundido no Brasil, principalmente, nas primeiras décadas dos anos 2000 não alterou o lugar da Amazônia na divisão internacional e nacional da exploração do trabalho" (MATHIS et al, 2016, p. 245)

Este dossiê objetiva reunir trabalhos que explorem alternativas amazônidas para um projeto de vida e de futuro para a região alternativo a absolutização da lógica capitalista na região, materializada nos diferentes discursos sobre a região, que, em suma, objetivam realizar o mesmo programa: a territorialização definitiva da sociedade do capital. 

Objetiva-se contemplar toda sorte de alternativas criadas pelos povos amazônidas, com destaque para as leituras sob o viés da Ecologia Política, mas não exclusivamente a ela. Estudos que problematizam os discursos do capital sobre a Amazônia, bem como as políticas públicas que engendram, também serão recebidos como composição do dossiê. 

Em face ao fato de a matriz colonial de poder se reproduzir nos termos dos neodesenvolvimentismo e neoliberalismos, processos que precisamos conhecer cientificamente, as Ecologias Políticas emergem como umas das possíveis alternativas legítimas à reprodução da matriz colonial de poder.

 

Relembrando: o novo prazo para envio de textos é dia 30 de maio de 2020.

 

Referências:

Mathis, Adriana de Azevedo; NASCIMENTO, M. A. C. ; N. F. ; GOMES, V. L. . Desenvolvimento, neodesenvolvimentismo e impactos sobre o trabalho na Amazônia brasileira. NOVOS CADERNOS NAEA, v. 19, p. 237-252, 2016.