Contradições sociais e urbanas vistas pela fresta da casa: moradia popular, hábitos tradicionais versus gestão urbana no Território Federal do Amapá (1940-1970)

Laercio Gomes Rodrigues, Tomás de Albuquerque Lapa

Resumo


Este trabalho tem como objetivo analisar as contradições sociais e urbanas na cidade de Macapá, advindas da criação do Território Federal do Amapá (TFA), no período de 1940 a 1970. A política governamental procurou implementar uma gestão pública/urbana avessa aos hábitos dos moradores locais, formado sobretudo por negros e caboclos. Famílias negras que residiam na “Macapá Antiga” viram-se excluídas da cidade que se modernizava. As “casas de madeira”, elaboradas por caboclos, foram tomadas como símbolos de uma natureza primitiva e arcaica, que denotavam desordem e impureza; elas foram vistas como expressão espacial dos hábitos rudimentares que conflitavam aos moldes desejáveis que as elites urbanas macapaenses procuravam espelhar, caracterizadas como modernas, civilizadas. “Casas em alvenaria”, tijolos e cimentos, representavam a concretude dos ideais das elites governamentais a respeito de um tempo moderno, em oposição ao tempo pretérito. O governo local tratou, entre outros, de elaborar leis, executar políticas urbanas de remanejamento habitacionais e campanhas locais com vistas a regular a vida, os hábitos e a moradia de famílias negras e de caboclos.

Palavras-chave


moradia popular; famílias caboclas; famílias negras; Macapá; Regulação

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