Biopoder e técnicas reprodutivas

Ilze Zirbel

Resumo


A história das técnicas reprodutivas evidencia o que Foucault chamou de fazer viver e deixar morrer como uma estratégia das práticas políticas modernas. A biotecnologia em funcionamento no campo da reprodução humana disponibilizou técnicas centradas na fabricação, controle e manutenção da vida. Este artigo defenderá que as tecnologias reprodutivas não foram desenvolvidas para resolver questões de infertilidade, como anunciavam, mas para controlar os processos reprodutivos do corpo da mulher e, com isso, chegar a controlar aspectos populacionais variados. O artigo divide-se em seis partes. A primeira apresentará a noção foucaultiano de biopolítica, apontando para a centralidade da reprodução humana nesse tipo de política. A segunda parte apresentará o caminho histórico percorrido pelas pesquisas no campo da reprodução humana e a ênfase dada ao corpo de mulheres como campo de experimentação. A manipulação das vidas das mulheres com fins biopolíticos (reprodutivos) será abordada em seguida, ilustrada pelas políticas nacionais de natalidade de períodos pós-guerra. Na quarta parte do artigo, o tema da inseminação artificial será apresentado como um projeto que teve dificuldades de implementação por conta do potencial imaginativo (e prático) para mulheres interessadas em constituir família sem a presença de um homem. A fertilização in vitro será apresentada, em seguida, como elucidativa da visão objetificante dos cientistas em relação às mulheres e de um projeto de controle da reprodução feminina. Por fim, questionar-se-á as intenções das pesquisas reprodutivas feitas em nome do tratamento da infertilidade, relacionando-as com as variadas causas de infertilidade e os interesses do mercado.


Palavras-chave


tecnologias reprodutivas; biopolítica; questões de gênero

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DOI: http://dx.doi.org/10.18468/pracs.2019v12n1.p123-143

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