Convocatória para Dossiê - Pan-Amazônia entre Neodesenvolvimentismos e Neoliberalismos: Ecologia Política como Alternativa

Convocatória para Dossiê 

Pan-Amazônia entre Neodesenvolvimentismos e Neoliberalismos: Ecologia Política como Alternativa

Organizadores

David Junior de Souza Silva – Universidade Federal do Amapá (Brasil)

Jose Efrain Astudillo Banegas - Universidad de Cuenca (Equador)

Prazo para envio dos textos: até 03 de abril de 2020.

 

A Pan-Amazônia, como região natural criada e cultivada pelos povos indígenas habitantes na região há mais de 10 mil anos, sofre um longo processo de violência e ações de expropriação no Sistema-Mundo Colonial, desde o estabelecimento deste nos séculos XV e XVI.

Estas violências e ações de expropriação modificaram-se e assumiram diferentes formas ao longo do tempo, algumas delas identificadas conceitualmente pela ciência social: a primeira, a colonização histórica, regida pelo pacto colonial e estruturada na desumanização e escravização dos povos africanos e indígenas. 

Recentemente, as formas desta dominação se atualizam para conceitos modernos para atender ao espírito do tempo, ou seja, por meio de conceitos que visam ocultar a dominação e a reprodução da matriz colonial de poder. No Brasil, diferentes conceitos foram utilizados, compondo diferentes discursos e reproduzindo a mesma colonialidade. Podem ser identificados o conceito de integração: pelo qual se realizou a construção de rodovias, e hoje de hidrovias e portos, ligando centro-sul a algumas capitais da Amazônia; o conceito de povoamento, pelo qual se induziu a migração, nordestina e sulista, para a região; o binômio conceitual de segurança e defesa, pelo qual se militarizou a região em pontos considerados estratégicos, com o objetivo anunciado de garantir a defesa e o controle sobre as fronteiras da região.

Finalmente, o discurso de desenvolvimento é o que tem sido hegemônico na reprodução da colonialidade da região, abraçado tanto pelos neoliberalismos quanto pelos neodesenvolvimentismos. 

Conforme Mathis et al (2016, p. 241) "foi criada a chamada terceira via de desenvolvimento que se inicia na segunda fase do neoliberalismo (social-liberalismo), caracterizada por um sincretismo entre o mercado e o Estado conduzido por uma ideologia de promoção do bem-estar social. Constata-se, então, que a aliança dos neodesenvolvimentistas com o bloco social-liberal não se dá apenas no aspecto político, pois ambos compartilham da ideologia burguesa que compreende de forma limitada e superficial a dinâmica da acumulação capitalista e seus nexos com o subdesenvolvimento e a dependência do Brasil aos centros capitalistas”. 

Apresentados ideologicamente como opostos um ao outro, em realidade, são dois discursos diferentes para realização do mesmo projeto: a territorialização definitiva da sociedade do capital. "O grande capital, estatal e privado do ramo do ferro, da bauxita, do alumínio, da energia elétrica, tornou-se rei e lei: com toda a sua soberba, remodelou o espaço, abrindo nele, de sul a norte, de oeste a leste, minas, represa de rio e lago artificial, linhas de alta tensão, ferrovia, lagoas de resíduos minerais, sem consideração nem pelas populações locais, tanto tradicionais como os recentemente imigrados. As grandes empresas de pesca e de madeira, modernamente equipadas, ávidas pelo lucro" (HÉBETTE, 2004, 23 apud MATHIS et al, 2016, p. 245).

Face indissociável do mesmo processo, a reprodução da matriz colonial de poder sobre a Amazônia; ou em outros termos, a manutenção de sua posição subordinada na divisão internacional do trabalho. "O ideário neodesenvolvimentista difundido no Brasil, principalmente, nas primeiras décadas dos anos 2000 não alterou o lugar da Amazônia na divisão internacional e nacional da exploração do trabalho" (MATHIS et al, 2016, p. 245)

Este dossiê objetiva reunir trabalhos que explorem alternativas amazônidas para um projeto de vida e de futuro para a região alternativo a absolutização da lógica capitalista na região, materializada nos diferentes discursos sobre a região, que, em suma, objetivam realizar o mesmo programa: a territorialização definitiva da sociedade do capital. 

Objetiva-se contemplar toda sorte de alternativas criadas pelos povos amazônidas, com destaque para as leituras sob o viés da Ecologia Política, mas não exclusivamente a ela. Estudos que problematizam os discursos do capital sobre a Amazônia, bem como as políticas públicas que engendram, também serão recebidos como composição do dossiê. 

Em face ao fato de a matriz colonial de poder se reproduzir nos termos dos neodesenvolvimentismo e neoliberalismos, processos que precisamos conhecer cientificamente, as Ecologias Políticas emergem como umas das possíveis alternativas legítimas à reprodução da matriz colonial de poder.

 

O prazo para envio de textos ao dossiê é até 03 de abril de 2020.

 

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Call of Papers

Pan-Amazon between Neodevelopment and Neoliberalism: Political Ecology as an Alternative

Organizers

David Junior de Souza Silva - Federal University of Amapá (Brazil)

Jose Efrain Astudillo Banegas - University of Cuenca (Ecuador)

Deadline for submission of texts: until 3 April 2020.

 

This dossier will receive original articles, theoretical essays, literature review articles, interviews and reviews that dialogue with the themes of Political Ecology, Neodevelopmentism and Neoliberalism in the Pan-Amazon. The texts can be sent in Portuguese, Spanish and English.

 

The Pan-Amazon, as a natural region created and cultivated by indigenous peoples living in the region for more than 10 thousand years, suffers a long process of violence and expropriation actions in the Colonial World-System, since its establishment in the 15th and 16th centuries.

These violence and expropriation actions have changed and assumed different forms over time, some of them conceptually identified by social science: the first, historical colonization, governed by the colonial pact and structured in the dehumanization and enslavement of African and Indigenous peoples.

Recently, the forms of this domination have been updated to modern concepts to meet the spirit of time, i.e., by means of concepts that seek to hide the domination and reproduction of the colonial matrix of power. In Brazil, different concepts were used, composing different discourses and reproducing the same coloniality. The concept of integration can be identified: through which the construction of highways was carried out, and today of waterways and ports, connecting center-south to some Amazonian capitals; the concept of colonization, through which migration was induced, northeastern and southern, to the region; the conceptual binomial of security and defense, through which the region was militarized in points considered strategic, with the announced objective of guaranteeing the defense and control over the region's borders.

Finally, the discourse of development is what has been hegemonic in the reproduction of the coloniality of the region, embraced by both neoliberalism and neodevelopment.

According to Mathis et al (2016, p. 241) "the so-called third development path was created, which begins in the second phase of neoliberalism (social-liberalism), characterized by a syncretism between the market and the state led by an ideology of promoting social welfare. It can be seen, then, that the alliance of neo-developmentalists with the social-liberal bloc is not only in the political aspect, because both share the bourgeois ideology that understands in a limited and superficial way the dynamics of capitalist accumulation and its links with the underdevelopment and dependence of Brazil on capitalist centers".

Ideologically presented as opposites to each other, in reality, they are two different discourses for the realization of the same project: the definitive territorialization of the society of capital. "The big capital, state-owned and deprived of iron, bauxite, aluminum and electric power, became king and law: with all its arrogance, it remodeled space, opening in it, from south to north, from west to east, mines, river and artificial lake dams, high tension lines, railways, mineral waste lagoons, without consideration even for local populations, both traditional and those who have recently migrated. The large fishing and timber companies, modernly equipped, greedy for profit" (HÉBETTE, 2004, 23 apud MATHIS et al, 2016, p. 245).

Inseparable from the same process is the reproduction of the colonial matrix of power over the Amazon; or, in other words, the maintenance of its subordinate position in the international division of labor. "The neodevelopmentalist ideology disseminated in Brazil, especially in the first decades of the 2000s, did not change the place of the Amazon in the international and national division of labor exploitation" (MATHIS et al, 2016, p. 245).

This dossier aims to bring together works that explore Amazonian alternatives for a life and future project for the alternative region to the absolutization of the capitalist logic in the region, materialized in the different discourses on the region, which, in short, aim to carry out the same program: the definitive territorialization of the society of capital.

The aim is to contemplate all sorts of alternatives created by the Amazonian peoples, especially, but not exclusively, the readings from the perspective of Political Ecology. Studies that problematize the discourses of the capital on the Amazon, as well as the public policies that engender them, will also be received as part of the dossier.

In view of the fact that the colonial matrix of power is reproduced in terms of neodevelopmentism and neoliberalism, processes that we need to know scientifically, Political Ecologies emerge as one of the possible legitimate alternatives to the reproduction of the colonial matrix of power.