Processo de Ensino-Aprendizagem de Línguas e Interculturalidade na Formação de Professores Indígenas

Jonise Nunes Santos

Resumo


O artigo aborda aspectos teórico-metodológicos no processo de desenvolvimento de disciplinas da área Letras e Artes, da Licenciatura em Formação de Professores Indígenas - FPI/Faculdade de Educação - FACED/Universidade Federal do Amazonas - UFAM.  Metodologicamente, utiliza-se da pesquisa documental para apresentar a estrutura da Licenciatura da FACED, da pesquisa bibliográfica para fundamentar os procedimentos metodológicos que conversam com as práticas docentes do Formador, cujo entendimento básico sobre as disciplinas relacionadas ao processo ensino-aprendizado de línguas deve seguir o princípio de que, em contextos plurilíngues e pluriculturais, “não é possível tomar como unidades básicas do processo de ensino os que decorrem de uma análise de estratos, letras/fonemas, sílabas, palavras, sintagmas, frases descontextualizados” (BRASIL, 1996, p. 23). Para tanto, utiliza-se como ponto de partida para atividades das disciplinas o conhecimento prévio dos alunos sobre a ementa, que são somados a textos teóricos, visando cumprir a interculturalidade, por ser um dos objetivos da Licenciatura FPI e um dos objetivos da Educação Escolar Indígena. Amplia-se a discussão na disciplina com adoção de procedimentos metodológicos que possam subsidiar as atividades do acadêmico durante o exercício da docência na escola indígena, assim, apropria-se da reflexões contidas na Pedagogia de Projetos, na Sequência Didática de Ensino, nas propostas de Freinet para o processo pedagógico e na transposição didática. Dessa forma, a oferta das disciplinas caracteriza-se também como momento para que o professor indígena reflita sobre sua prática pedagógica e sobre o atendimento às Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Escolar Indígena, mediante o planejamento de ações, que o desafia a considerar os conhecimentos dos alunos e do povo nas ações da escola. Essa perspectiva de ensino busca ainda refletir sobre padrões fechados do processo ensino-aprendizagem, utilizados há séculos e só permitem uma interpretação, logo, negam a diversidade de leituras possíveis que se constrói na co-interação leitor-texto e conhecimentos indígenas.


Palavras-chave


Linguística Aplicada; Ensino-aprendizagem de Línguas; Professores Indígenas

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DOI: http://dx.doi.org/10.18468/rbli.2019v2n1.p45-57

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