Crenças e atitudes linguísticas na variação da vogal média posterior /o/ > [u] em posição tônica no português falado em Cametá-PA

Andreza Prazeres Gaia, Mariane Daysa de Castro Gomes, Raquel Maria da Silva Costa Furtado

Resumo


estudos sociolinguísticos de caráter quanti-qualitativo têm evidenciado forte tendência de apagamento do alteamento da vogal média posterior /o/, marca de identidade dos cametaenses, em posição tônica (COSTA 2004; RODRIGUES 2005; GAIA, GOMES e FURTADO, 2019); e o fator escolaridade é apontado em tais estudos como condicionante da manutenção de /o/ tônico, o que aparentemente indica existência de estigma associado ao uso de [buka], [kuku], [vuvu].  Portanto, a fim de verificar se o comportamento linguístico dos cametaenses de manutenção da tônica é decorrente do estigma que recai sobre o alteamento de /o/ > [u] tônico, consequentemente das crenças e atitudes acerca desse fenômeno objetivou-se realizar um estudo para analisar por meio de testes de atitudes e avaliação, se o fenômeno de alteamento da vogal posterior em posição tônica é rotulado de forma positiva ou negativa na comunidade cametaense, e se essa rotulação encontra-se no nível da consciência de seus falantes. Para isso, tomou como base de análise teórica, os pressupostos teórico-metodológicos da Teoria da Variação Linguística/ Sociolinguística Quantita­tiva, e os estudos sobre crenças e atitudes linguísticas, advindos principalmente da Psicologia Social baseada em Lambert e Lambert (1996). O corpus para análise foi oriundo de 24 (vinte e quatro) sujeitos participantes na faixa etária de 15 a 29 anos e 30 a 45 anos, estratificados por sexo/gênero (masculino 12 e feminino 12); nível de escolaridade (08 com nível fundamental, 08 com nível médio e 08 com nível superior) e procedências (12 cametaenses 12 não cametaenses). Os resultados obtidos por meio da amostra esboçam atitudes negativas dos informantes diante do fenômeno investigado, freando dessa forma o uso da vogal média posterior de forma alteada na posição tônica. Portanto, por meio dos resultados constatou-se à identidade e o preconceito linguístico do falante diante da língua falada de sua região.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18468/letras.2020v10n1.p37-49

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