A palavra proferida no tempo: experiência temporal em A paixão segundo G.H.

Anderson Luiz Teixeira Pereira, Sílvio Augusto de Oliveira Holanda

Resumo


O trabalho propõe analisar o tempo, tanto como categoria formal da narrativa quanto aspecto temático do universo ficcional, em A paixão segundo G.H. (1964), de Clarice Lispector (1920-1977). Por meio de um movimento de escritura que faz da narração objeto da própria experiência (RICOEUR, 2010, v.2), a autora modernista brasileira problematiza a composição do romance ao mesmo tempo que põe em jogo a matéria ali narrada. G.H., narradora e única personagem da narrativa, após viver uma crise individual, por meio da linguagem, busca alcançar uma compreensão para sua existência. Em outros termos, ao passo que a personagem profere a palavra, descerra-se o limite temporal da narração, anula-se as fronteiras entre passado, presente e futuro e o tempo torna-se um contínuo (BERGSON, 1988), que já no nível da estrutura, manifesta-se numa escrita que acompanha a temporalidade do próprio sujeito que é tempo (HEIDEGGER, 2008).


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