Diálogos entre música e literatura na Amazônia: relatos de uma certa MPB

Josiclei de Souza Santos

Resumo


A MPB, embora inclua uma produção diversa, possui um elemento que a unifica, ao menos em sua maioria: o trabalho com a palavra poética. Nesse sentido, o presente trabalho busca fazer um estudo da MPB amazônica enquanto uma poesia cantada que, embora com elementos comuns ao cânone nacional da MPB, possui aspectos diferenciais, que fazem com que seja preciso se criar uma outra narrativa sobre a mesma. Sem desmerecer a narrativa de invenção da MPB, de caráter urbano, no dizer de Wisnik (2008), e iniciada com Vinícius de Moraes e os bossa-novistas, no dizer de Tatit (2004), o estudo da poesia cantada amazônica mostra que é preciso ter-se cuidado com as homogeneizações, já que, por exemplo, o urbano na Amazônia é diferente do urbano sudestino, havendo a interpenetração do elemento citadino com a floresta. No que diz respeito à aproximação entre música e poesia, sem negar a importância de Vinícius de Moraes na década de cinquenta, há desde a década de trinta o trabalho de Waldemar Henrique com a palavra poética, gerando uma tradição poética cantada que, iniciada pelo maestro, passa por Ruy e Paulo André Barata, Walter Freitas, chegando até a contemporaneidade.


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