Gil Vicente e as cênicas pedagógicas da moral cristã

Andreia Karine Duarte

Resumo


Conforme a divisão de 1562 dos filhos de Gil Vicente sobre seus textos. Neste trabalho, analisaremos três peças do conjunto de obras de Devoção (o Auto da Barca do Inferno, o Auto da Barca do Purgatório e o Auto da Barca da Glória) e uma da categoria Tragicomédias (a Romagem dos Agravados). Esta última é uma crítica sobre as insatisfações da sociedade portuguesa e as outras peças, uma reflexão sobre o julgamento das almas (representantes dos indivíduos portugueses). A desmoralização das regras cristãs, o abandono da fé e a ambição social eram as principais críticas de Gil Vicente nessas peças. Em meio às nuanças dos “novos” pensamentos da Renascença, efusão das grandes viagens comerciais náuticas e os surtos de pestes, Portugal se via sob os reinados de D. Manuel I e D. João III em pleno desenvolvimento político e intenso incentivo à atividade intelectual e cultural. Nesse cenário atuara Gil Vicente, poeta da corte lusa no início do século XVI. A cênica vicentina tinha um compromisso pedagógico, pois ensinava as práticas corretas para a formação de um bom cristão. Neste artigo, iremos verificar alguns modelos e contramodelos de comportamento para a Salvação propostos por Gil Vicente à sociedade portuguesa do século XVI, assim como entender, quais eram as críticas do teatrólogo e sua percepção de uma sociedade ideal.


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