A RAZÃO MACUNAÍMICA: UM BRASIL ENTRE BRASIS

Camila Teixeira Lima, Hyury Pinheiro, Maria Caroline Marmerolli Tresoldi, Mariana Toledo Borges

Resumo


Na tentativa de não contaminar nosso olhar com uma fortuna crítica expressiva de Macunaíma (1928), buscamos, nessas linhas que seguem, realizar uma leitura interna da obra, na qual os diálogos com outras ideias surgiram subordinados a tal leitura e a partir dos arquivos individuais e anteriorespara usarmos um termo de Wright Mills do ensaio “Do artesanato intelectual” (1959) – de cada autora/o deste trabalho. Nesta tarefa, percebemos a rapsódia como um mito original nacional que explora o conflito e a hibridização dos polos antitéticos da questão da integração nacional, em diálogo com um tipo de visão dicotômica do pensamento brasileiro. Nas aventuras do “herói de nossa gente”, o mosaico cultural no qual convivem o antigo e o moderno, o indígena da floresta e o homem de negócios, o mito e a razão, as figuras folclóricas e a indústria, “o brasileiro falado e o português escrito”, nos é apresentado por uma dualidade (e nos encontros) entre o mato-virgem, lugar incaracterístico, universo mítico, desgeografizado, não letrado, cujo tempo e espaço não obedecem a um padrão racional e secularizado, e a cidade de São Paulo, corpórea, lugar das máquinas, das Letras e da civilização. Sugerimos que as tensões, os impasses e as ambivalências que constituem essa dualidade formalizam esteticamente uma “razão macunaímica”, apresentando ao leitor um Brasil que vive entre Brasis, sem sínteses resolutivas e em embates não necessariamente felizes e tranquilos, mas, por vezes, violentos e devastadores.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18468/letras.2017v7n3.p263-282

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