FERNANDO PESSOA E AS GLÓRIAS PRETENDIDAS

Maria da Glória Ferreira de Sousa

Resumo


Tendo produzido uma obra heterônima que chama a atenção pelas suas múltiplas visões do espírito humano, Fernando Pessoa é dono de uma obra ortônima também extremamente densa, tal é o caso de Passos da Cruz, no qual se percebe um intenso desejo do eu-lírico de que sua poesia permaneça na eternidade. Tomando como base essa obra, formada de quatorze sonetos claramente alusivos as quatorze estações da via sacra vivida por Jesus, este trabalho tem por finalidade esclarecer acerca dessas aspirações de imortalidade pretendida pelo eu-lírico, imortalidade essa a ser conquistada através dos mais variados artifícios e, muitas vezes, lamentada por não se configurar nitidamente à frente daquele que a almeja. O percurso do poeta é, no mais das vezes, sofrido, angustiado diante da impossibilidade de se fazer grande. A presente análise nos confronta com essa caminhada que vacila entre momentos de glória e de ruína, com a inquietação característica de vários poemas pessoanos, com a genialidade desse poeta múltiplo, que é capaz de nos fazer repensar a nossa própria trajetória enquanto seres findos, ordinários perante a imortalidade do tempo


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DOI: http://dx.doi.org/10.18468/letras.2016v6n1.p392-402

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