MÁRIO DE ANDRADE E A MISSÃO ANTI-CIVILIZADORA

Raimundo Sousa

Resumo


Duas modalidades de viagem constituem as linhas de força do nosso modernismo: a viagem para fora, de vocação cosmopolita; e a viagem para dentro, de inflexão nativista. Diferentemente de outros literatos, que se deslocaram do Brasil para a Europa, Mário de Andrade optou por viajar para dentro, não para fora do país, e deslocou-se do sudeste europeizado em direção ao Norte e Nordeste, à procura de elementos da cultura popular. Neste trabalho, demonstro que a viagem de Mário ao interior do país foi balizada pelo enaltecimento da diferença cultural mediante uma postura (est)ética que denomino missão anti-civilizadora. As experiências etnográficas do escritor, relatadas em O Turista Aprendiz, promovem o desmantelamento de hierarquias culturais, pois o viajante atua como o oposto de um agente civilizador na medida em que sua missão consiste em aprender a cultura periférica e trazê-la para o centro da produção artística brasileira a fim de ampliar a acepção de brasilidade.

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