Reflexões acerca do conceito de economia moral: (re)pensando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

Caroline Gonzaga

Resumo


O conceito de economia moral é utilizado quando pesquisadores descrevem relações “econômicas” que são reguladas segundo normas não monetárias: normas estas que existem como costumes e usos até serem ameaçadas pelas racionalizações monetárias e adquirirem uma autoconsciência de ser uma “economia moral”. Assim sendo, a economia moral é uma resistência à economia do “livre mercado”. A ética de subsistência, as reciprocidades, o direito de viver, os laços de dependência e o senso de justiça permeiam as relações recíprocas nas comunidades camponesas e são alguns dos elementos que compõem sua economia moral. Destaca-se ainda que, quando os camponeses se rebelam contra os proprietários de terras, não o fazem apenas porque seus recursos são escassos, mas também porque padrões e direitos não foram respeitados. Nesse sentido não se pode pensar apenas em uma economia onde o mercado impõe sua lei, é necessário atentar para a economia moral onde outras formas de troca são possíveis. Considerando os apontamentos acima, o presente artigo tem como objetivo realizar uma reflexão sobre a economia moral do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), buscando compreender como as ocupações de terras realizadas por esse movimento não visam apenas uma lógica capitalista da procura por lucro, mas também representam uma economia moral, pautada em direitos e costumes tradicionais.

Palavras-chave: Economia moral; Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra; História Rural.


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