Formas cinematográficas de tensão socioespacial: o filme O invasor, de Beto Brant

Guilherme Muniz Safadi

Resumo


O filme O invasor (2001), de Beto Brant, ao colocar em cena personagens e espaços socialmente distintos em uma narrativa sobre crime, envolvendo figurações de “centro” e “periferia” urbanos na tematização de relações sociais e violência, traz singularidades que instigam a investigação dos entrecruzamentos entre obra, formas cinematográficas e aspectos de seu tempo. Em consonância com aportes sobre as interfaces entre cinema e história (Baecque, 2008; Lagny, 2009, Morettin, 2011), este artigo busca atentar para as escolhas formais envolvidas na construção de sentidos, considerando o “específico fílmico” para sustentar a leitura histórica do filme. Sustenta-se a existência no filme de um esforço para construir e dar forma específica a tensões e relações socioespaciais, remetendo-nos ao contexto de intensas disputas de sentido em torno das relações centro-periferia.  Em seus diversos elementos, do roteiro à mise-en-scène, atravessado por relações dialógicas com o hip hop, o filme constrói uma abordagem relacional e tensa de divisões sociais e territoriais urbanas, informada por processos de desestabilização de referências socioespaciais. 

Palavras-chave: Cinema brasileiro, violência, relação centro-periferia.


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