Religião, política e educação: concepções de racismo religioso dos professores do Estado do Amapá

Elane Carneiro de Albuquerque, Marcos Vinicius de Freitas Reis

Resumo


Este artigo apresenta um recorte das análises desenvolvidas a partir do processo investigativo que teve como proposta estudar as relações étnico-raciais na educação escolar com foco nas concepções de racismo elaboradas por professores(as). Parte-se da compreensão de que tais concepções têm sido fator importante no processo de efetivação do Artigo 26-A da Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional, Lei n. 9394/96, alterada pela Lei n. 10.639/03 e Lei n. 11.645/08, que instituem os conteúdos de história e cultura afro-brasileira e indígena nos currículos escolares. O estudo foi realizado em uma escola da rede pública estadual situada na periferia de Macapá, capital do estado do Amapá, utilizando-se como dispositivo metodológico uma formação pedagógica continuada, tendo como público-sujeito os(as) professores(as) e técnicos(as). A pesquisa objetivou ainda, identificar as manifestações do racismo no espaço escolar e as suas implicações na identidade da criança negra e não negra; entender como os(as) professores(as) concebem o racismo em suas práticas docentes; e analisar o papel dos(as) professores(as), da escola e das formações pedagógicas na desconstrução do racismo na escola. O estudo aponta para a vigência do racismo no âmbito escolar e, especificamente, do racismo religioso, presente nas ausências, nos silêncios, nas falas e nos não ditos que compõem o currículo escolar, as matrizes curriculares e as práticas docentes do cotidiano da escola. Aponta ainda para a necessidade de investimento e de reformulações nas formações para professores(as), a fim de ultrapassar as resistências dos sujeitos e implementar a legislação e ações afirmativas para uma educação antirracista.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18468/fronteiras.2016v3n2.p49-75

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