Espacialidades concebidas e construídas: as fotografias dos postos indígenas do SPI em Mato Grosso

Lucybeth Camargo de Arruda

Resumo


Este artigo trata da exterioridade de cinco postos indígenas do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), localizados em Mato Grosso, na primeira metade do século XX, enquanto arquitetura, instalação, vista geral e parcial desses espaços. As reflexões partem de fotografias panorâmicas destes postos tomando, em princípio, o plano métrico, o arquitetural e a expressão plástica espacial, cujos contornos materiais, dotados de limites fronteiriços físicos, culminam em fronteiras conceituais, simbólicas. Essas imagens me fizeram ir atrás das instruções dessas construções para acompanhar como o posto foi ganhando materialidade arquitetônica. No entanto, nesse processo de construção vamos percebendo espaços sendo construídos como reflexo dos sentidos de quem os concebeu. Dessa perspectiva diacrônica percebemos multiplicidades de configurações espaciais nessa exterioridade que se apresenta. Ao olhar para as panorâmicas, enxergamos o posto indígena como máquina administrativa, lugar feito para os índios e habitado pelos funcionários do SPI. Com isso, o artigo demonstra a fissura física nessa aparência do posto indígena como um todo e, consequentemente, a fissura mental dessa concepção inscrita no ato de instalação e construção de um espaço para os índios e não dos índios. Não que o espaço dos índios não existisse. Muito pelo contrário, as aldeias estavam presentes e, inclusive, elas aparecem nas fotografias, porém, de forma apartada desse constructo pensado, construído e materializado como posto indígena

Texto completo:

PDF Português


Direitos autorais 2016 Fronteiras & Debates

Licença Creative Commons
Este obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.