USO E DIVERSIDADE DE PLANTAS MEDICINAIS EM UMA COMUNIDADE QUILOMBOLA NA AMAZÔNIA ORIENTAL, ABAETETUBA, PARÁ

Maria das Graças da Silva Pereira, Márlia Coelho-Ferreira

Resumo


Diversos grupos sociais apresentam uma intima relação com as plantas entre eles destacam-se os remanescentes de quilombos. Nesse sentido, a pesquisa foi realizada na comunidade Tauerá-Açú, inserida no Território Quilombola Ilhas de Abaetetuba, tendo como objetivo demonstrar o conhecimento de seus moradores sobre a diversidade das plantas medicinais. Os dados etnobotânicos foram obtidos através de métodos e técnicas usuais em etnobotânica. O universo amostral foi de 34 mães e dois especialistas locais. O material botânico foi coletado e identificado e incorporado aos herbários João Murça Pires (MG) e Marlene Freitas (MFS). Utilizou-se o Índice de Saliência Cultural (ISC) para evidenciar as espécies de maior importância cultural. A diversidade foi calculada utilizando o índice de Shannon-Wiener. Foram registradas 93 etnoespécies, das quais 76 foram identificadas, compreendidas em 68 gêneros e 34 famílias, onde Lamiaceae, Fabaceae e Asteraceae constam como as mais representativas. As plantas mais citadas foram hortelã (Mentha pulegium), arruda (Ruta graveolens) e boldo (Gymnanthemum amygdalinum). A espécie com maior ISC foi Mentha pulegium (0,43). O índice de diversidade de Shannon-Wiener (H’ = 4,14) foi considerado alto em comparação com trabalhos realizados em regiões tropicais. A Comunidade quilombola de Tauerá-Açú apresenta um conhecimento vasto e diverso, no entanto, susceptível a mudanças e perdas, proporcionadas principalmente pela transformação gradual do modo de vida dos jovens.

Palavras-chave: Etnobotânica, remanescentes de quilombos, conhecimento, diversidade, Amazônia.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18561/2179-5746/biotaamazonia.v7n3p57-68

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