RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA DE SOURE, PARÁ, BRASIL: MODO DE VIDA DAS COMUNIDADES E AMEAÇAS AMBIENTAIS

Gerciene de Jesus Miranda Lobato, Ana Cláudia Caldeira Tavares-Martins, Flávia Cristina Araújo Lucas, Gundisalvo Piratoba Morales, Tainá Teixeira Rocha

Resumo


A Reserva Extrativista Marinha de Soure é uma Unidade de Conservação Federal que abriga populações tradicionais, as quais desenvolvem intensa relação com a natureza caracterizando seu modo de vida e consequentemente sua cultura. O trabalho objetivou apresentar o modo de vida das comunidades Vila do Pesqueiro, Comunidade do Caju-Úna e Povoado do Céu e informar acerca das ameaças ambientais constatadas na Reserva Extrativista Marinha de Soure, Pará, Brasil. Foram realizadas visitas técnicas que oportunizaram conversas informais com moradores, aplicação de questionários aos líderes comunitários e gestores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além da obtenção de registros visuais das comunidades. Foram determinados in loco os parâmetros pH, temperatura, sólidos totais dissolvidos, condutividade elétrica, cor e turbidez em amostras de água coletada em cinco corpos hídricos visando uma avaliação preliminar da sua qualidade ambiental. O modo de vida das comunidades caracteriza-se por atividades extrativistas como pesca artesanal, catação de caranguejo e coleta, e cultivo de espécies vegetais. As ameaças ambientais identificadas foram a pesca e catação do caranguejo fora do defeso por extrativistas usuários, deficiências no recebimento do auxílio-defeso, construção de estradas e extração ilegal de areia das praias, resíduos sólidos na praia, e indícios de alteração da qualidade da água. Os recursos hídricos superficiais podem ser enquadrados legalmente como águas salobras, e as águas dos poços amazonas e nascentes como águas doces classe 2. Medidas estratégicas com vistas à conservação dos recursos naturais e culturais, e da integridade das populações tradicionais são imprescindíveis nesta Unidade de Conservação.

Palavras-chave: Marajó, biodiversidade, populações tradicionais.


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DOI: http://dx.doi.org/10.18561/2179-5746/biotaamazonia.v4n4p66-74

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