Chamada para o dossiê Interiores, margens e periferias: manifestações, vivências e processos de criação e ensino em Artes Cênicas

2026-05-12

Afinal, quem somos, onde estamos e para onde vamos? O que produzimos a partir destas identidades, territórios e de nossos corpos em convívio? Partindo do coração ecológico do mundo, das margens do rio Amazonas que se cruzam com o Marco Zero da Linha do Equador, o “meio do mundo”, no extremo norte de um país Brasil, a Revista Iaçá, editada pelo Curso de Licenciatura em Teatro da Universidade
Federal do Amapá (UNIFAP), através desta chamada, busca inverter lógicas e borrar hierarquias territoriais, redesenhar mapas e desestabilizar noções de centro, no reconhecimento de eixos pulsantes em nossa cultura e na busca por práticas e entendimentos que contribuam com a pluralidade de perspectivas e percepções que elaboram um conhecimento contracolonial, libertário e democrático em nosso campo.

Reconhecemos que as transformações epistemológicas no campo das Artes da Cena, mais do que necessárias, tem sido espaço de enfrentamento, fabulação e imaginação radical através da presença e documentação de pesquisas articuladas autenticamente pelas vivências, rebeldias, subversões e partilhas de grupos sociais historicamente negligenciados, subalternizados e silenciados por regimes
hegemônicos de validação do conhecimento - não sem insurgências e resistências.

A presença e a articulação sensível de vivências caiçaras, caipiras, ciganas, faveladas, fronteiriças, LGBTQIA+, migrantes, negras, originárias, periféricas, quilombolas, refugiadas, ribeirinhas, sertanejas, de povos das águas, das florestas e de terreiros, comunidades tradicionais de matriz africana e todos os povos de Abya Ayala em retomada, convocam e enunciam saberes, experiências e pesquisas
compartilhadas dentro do vasto campo que convencionamos chamar de Artes da Cena e que pretendemos reunir a partir desta chamada, compreendendo também suas alianças, fluxos e deslocamentos como parte destas confluências.

Propomos neste dossiê, o encontro de territórios e (r)existências em aliança, seus modos e experiências de criar, comunicar, ensinar, fazer, produzir, manifestar e encantar o mundo. Convidamos artigos, análises, críticas, entrevistas, ensaios, reflexões, relatos de investigações e experimentações, revisões bibliográficas, resenhas, traduções e registros visuais em consonância com perspectivas libertárias
para processos de criação e ensino, assim como práticas e pensamentos contracoloniais, manifestações originais da cultura brasileira e alianças assumidas com os movimentos sociais populares para este diálogo.

Sugerimos os seguintes eixos de discussão, a serem reconhecidos, problematizados e expandidos:

A) Articulação entre identidades, territórios e saberes das corporeidades estruturados por processos artísticos e pedagógicos em interface com instituições de ensino e pesquisa.


B) Compartilhamento de perspectivas pós-coloniais, decoloniais, contracoloniais e anticoloniais, para reflorestar o mundo.

C) Encantamento, manifestações culturais e suas/seus fazedoras/es, mestras/es e comunidades de saberes tradicionais em perspectiva de documentação e compartilhamento de experiências e processos.

D) Interfaces de criação entre os saberes artísticos, culturais e comunitários somados a vivências nos movimentos sociais, políticos e populares.

E) Imagens de (r)existência: cartazes, charges, colagens, croquis, ilustrações, fotografias, maquetes, mapas, pixos e outras formas de representação visual, acompanhados de texto descritivo.

Organização:
Everton Lampe de Araújo
Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR)
Flaviane Flores Vieira de Magalhães
Universidade Federal da Bahia (PPGAC/UFBA)
Jennifer Jacomini de Jesus
Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais (CP/UFMG)

Submissões: 
12 de maio a 12 de julho de 2026