SABERES EM TERRITÓRIO: CARTOGRAFIAS DE REEXISTÊNCIA E A DESCOLONIZAÇÃO DO IMAGINÁRIO ESCOLAR
Palavras-chave:
Cartografias, Cosmologias, Heterarquias, BranquitudesResumo
Este trabalho apresenta uma revisão curricular de Sociologia para o Ensino Médio da rede pública do Amapá que tensiona o modelo tradicional da disciplina. Parte do reconhecimento de que o currículo hegemônico, orientado por epistemologias eurocentradas, invisibiliza saberes negro-indígenas e reproduz exclusões epistêmicas vinculadas a lógica colonial do Estado. Em resposta, propõe incorporar essas epistemologias como eixo estruturante de uma prática pedagógica voltada à descolonização do imaginário escolar e à valorização das experiências racializadas amazônicas a partir de um audiovisual. A heterarquização dos saberes é assumida como estratégia para romper hierarquias que privilegiam um único regime de conhecimento. Ao articular o currículo de Sociologia a cosmologias, territorialidades e práticas culturais locais através de imagens, busca-se construir cartografias de reexistência no espaço escolar. Metodologicamente, o estudo dialoga com a sociologia crítica, os pensamentos decolonial, pós-colonial e contracolonial, e pedagogias antirracistas, mobilizando conteúdos clássicos (como cultura, identidade, poder, desigualdade e mudança social) em interlocução com saberes historicamente marginalizados. Como resultado, a proposta evidencia o potencial de um ensino que reconhece estudantes racializados como sujeitos epistêmicos, ampliando sua leitura crítica da realidade e a construção de identidades plurais. Conclui-se que atravessar o cânone com epistemologias negro-indígenas não significa descartá-lo, mas reinventá-lo de forma situada, pluriversal e comprometida com a superação das desigualdades no contexto educacional amazônico.