IMPRESSÕES DA MEMÓRIA: ARTE, POLÍTICA E SUBVERSÃO NA XILOGRAVURA 64 CAVEIRAS NA RECONQUISTA DO PASSADO

Autores

  • Tereza Cândida Alves Diniz

Palavras-chave:

Xilogravuras, Imagens, Memória, Ditadura militar

Resumo

Na contemporaneidade, vivemos imersos em um fluxo contínuo de imagens que não apenas mediam a experiência social, mas conformam modos de subjetivação, memória e produção de sentido. O presente artigo analisa a xilogravura 64 caveiras na reconquista do passado produzida em 1977 pelo artista “popular” José Stênio Diniz natural da cidade de Juazeiro do Norte/CE. A obra foi produzida durante o período ditadura militar no Brasil, sendo considerada, à época, objeto de subversão ao regime instituído. Ao longo das décadas, essa imagem foi sendo ressignificada por meio dos processos históricos e das narrativas construídas pelo próprio xilógrafo. Olhar uma imagem, portanto, implica abri-la, questioná-la, fazer dela um campo de tensões e intervalos — uma operação historiográfica complexa. Partimos da constatação de que, embora as imagens sejam suportes da cultura material e informem sobre a cultura, a sociedade e a política, sua legitimidade como objeto de estudo historiográfico permanece subvalorizada. Isso se deve, em grande parte, à hegemonia do texto escrito e à formação tradicional do historiador, que muitas vezes negligencia a análise imagética. Dessa forma, refletir sobre as imagens exige repensar seu estatuto epistemológico na pesquisa histórica. Para isso, propomos um diálogo com autores como o filósofo Georges DidiHuberman e a historiadora Ana Maria Mauad, cujas contribuições teóricas oferecem ferramentas para compreender as imagens como suportes produtores de conhecimento histórico.

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Publicado

2026-07-24